A chamada acne vulgar é a doença de pele mais comum nos EUA e afeta aproximadamente 17 milhões de pessoas, o que representa 80% da população entre 11 e 30 anos de idade, sem distinção entre etnia ou gênero. A prevalência da acne é muito menor em áreas rurais e sociedades não industrializadas – observações e relatos de casos sugerem que a acne se desenvolve em grupos que consomem alto conteúdo de glicose, dieta típica das sociedades modernas e industrializadas.

 

São 4 os principais fatores implicados com a ocorrência da acne, porém o problema fundamental é a produção excessiva de sebo pelas glândulas sebáceas – já que a acne não se desenvolve sem sebo. A testosterona é fundamental para o crescimento e desenvolvimento da glândula sebácea - a inflamação da acne aumenta quando há uma grande secreção de hormônio, na adolescência. Em mulheres, esta é a causa de metade dos casos de acne que persiste até a idade adulta. O excesso de androgênio nestas mulheres se dá por desequilíbrios hormonais, como a síndrome do ovário policístico (SOPC). São também fatores que predispõe à acne: hereditariedade, estresse emocional, alimentação, utilização de cosméticos comedogênicos ou de determinados medicamentos, como corticosteroides tópicos e sistêmicos, lítio e isoniazida.

 

Apesar de alguns médicos dermatologistas afirmarem que não há relação entre a acne e a nutrição, diversos estudos científicos têm elucidado esta relação na prevenção e como coadjuvante no tratamento da acne. É importante ressaltar que a principal causa da acne é a hipersecreção sebácea, devido à alteração hormonal (principalmente hormônios andrógenos), que pode ser mediada por diversos fatores, entre eles o nutricional. Existem três tipos de acne: o comedonal (presença de comedão aberto e ou fechado), o papilopustular (presença de pápulas e ou pústula) e o nodular (presença de nódulos) – através dos estudos analisados, a relação da nutrição com a acne ocorre principalmente em nível de lesões papilopustular.

 

Algumas das abordagens dietéticas que podem ser usadas no tratamento da acne:

 

- Tratamento da permeabilidade intestinal

 

O aumento da permeabilidade intestinal pode gerar aumento da absorção de toxinas e macromoléculas – essas substâncias contribuirão para gerar radicais livres que por consequência estimularão uma resposta imune associada à alergia. O aumento da permeabilidade também reduz a absorção de nutrientes, sendo que a carência de alguns nutrientes poderia influenciar no quadro da acne.

Para tratamento da permeabilidade intestinal indica-se prebióticos, probióticos, fibras solúveis, insolúveis, glutamina, gordura e água –  é importante incluir alimentos ricos em fibras, como frutas e verduras cruas, sementes (linhaça, aveia, gérmen de trigo) e óleos (ricos em Ômega 3), os quais que além de favorecer o deslizamento do bolo fecal é um potente nutriente anti-inflamatório.

 

- Ômega 3

 

As lesões clínicas da acne (pápula, pústula, nódulos e cistos) são processos inflamatórios e, através da dieta, podemos modular a inflamação. O uso de ômega 3 para prevenção e tratamento da acne visa reduzir a liberação de substâncias pró-inflamatórias e favorecer a liberação de substâncias anti-inflamatórias, modulando, assim, a inflamação.

As principais fontes de ômega 3 são: ácido alfa-linolênico, eicosapentanoico (EPA) e o docosa-hexanoico (DHA), presentes nos óleos vegetais de linhaça, oliva, germe de trigo e em animais de origem marinha – sardinha, atum, salmão selvagem, entre outros.

 

 - Controle do Índice Glicêmico (IG) e Carga Glicêmica (CG) da dieta

 

A dieta de alto IG pode estar envolvida na ocorrência da acne pois é importante contribuinte para o desenvolvimento da hiperinsulinemia (excesso de insulina no sangue) – a hiperinsulinemia favorece a liberação do hormônio IGF1 que age diretamente na glândula sebácea aumentando a produção de sebo. Uma dieta com baixo IG contempla frutas, verduras e legumes, cereais integrais, leguminosas e tubérculos – devem ser evitados os alimentos industrializados, ultra processados, pães, massas e derivados refinados, açúcar branco, dentre outros. Para uma dieta com a CG equilibrada, devemos consumir em todas as refeições os 3 grupos de macronutrientes – carboidratos + gorduras boas + proteínas saudáveis.

 

 - Acne e Micronutrientes

 

ZINCO: é um dos minerais mais citados na literatura como coadjuvante no tratamento da acne, por ser antioxidante, modulador da inflamação, cicatrizante e por a diminuir a secreção sebácea. Sua deficiência pode ser decorrente de doenças intestinais (como a constipação e a hiperpermeabilidade intestinal), e está associada a lesões da pele, cicatrização retardada e resposta imunológica alterada. São fontes de zinco: ostra, farelo de arroz, germe de trigo, castanha do Brasil, frango, alho, sementes de girassol e abóbora.

SELÊNIO: em estudos-piloto, este micronutriente apresentou ser efetivo no tratamento de pústulas devido à sua função de combater infecções. Encontramos selênio nas carnes, na castanha do Brasil e nos alimentos marinhos.

COBRE: apresenta ação antibiótica local, estimula os processos de defesa orgânicos e aumenta a resistência a infecções virais e microbianas. Fígado, rins, mariscos, passas e cacau são boas fontes de cobre. 

 

 

RECEITA: SHAKE ANTI-ACNE

Ingredientes: 200ml de leite de amêndoas, 1 c. sopa de linhaça, 1 c. chá de levedo de cerveja, 2 castanhas do Brasil ou nozes, 1 fatia de mamão papaia

Modo de Fazer: Bater tudo no liquidificador e tomar em seguida. 

Propriedades Estéticas da Receita: Este shake é rico em ômega-3, proveniente da linhaça e das nozes, nutriente com ação anti-inflamatória e útil no tratamento de acne do tipo inflamatória. Também é fonte de zinco e vitaminas do complexo B, responsáveis pela promoção da cicatrização e regeneração do tecido cutâneo.

 

 

 

 

 

 

 

 

Para uma orientação individualizada, agende sua consulta! 

 

 

 

 

 

Dra. Paula Pereira da Silva
Nutricionista
CRN3: 13802

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