(Este é um depoimento do Blog Teia Materna, escrito pela psicóloga Simone Cortez, sobre sua experiência com Aleitamento Materno. Para ler o texto completo clique aqui.)

 

 

 

"Em comemoração à Semana Mundial de Aleitamento Materno – SMAM 2017, venho contar como foi a amamentação prolongada e o desmame natural do Alexandre.

 

Foram três anos e meio (hoje ele está com quatro anos) de amamentação em livre demanda. Desde o primeiro minuto de vida até a pouco mais de seis meses, o Ale mamou quando quis, como quis e onde quis. Foram dias e noites intermináveis, de amor, dedicação, preguiça, sono, prazer, desespero, felicidade extrema, satisfação, orgulho, empoderamento, exaustão, dor, medo, economia (sim! sabe o preço de uma lata de leite???) euforia, depressão, amor, amor, já falei amor? Amamentar é tudo isso. Amamentar é saúde e amor líquidos doados para o “serumaninho” que a gente mais ama no mundo.

 

Mas apesar de ser natural, fazer parte da fisiologia do mamífero, amamentar não é fácil, não é glamouroso, como nas capas insanas de revistas de moda e sei lá mais o que, nos fazem crer que é. É preciso muita informação de QUALIDADE, apoio familiar e profissional, e um bocado de disposição emocional e física para conseguir amamentar em livre demanda.

 

Tive apoio familiar e profissional, mas precisei estar muito certa do que eu queria e das minhas escolhas, nos momentos difíceis, para não fraquejar. 

 

Depois de amamentar por três anos e meio, compreendo muito mais as mulheres que optam, quando REALMENTE é uma opção, baseada em informação de qualidade, por não amamentar. Lamento, mas entendo. E apoio ainda mais, as mães que querem amamentar em livre demanda até quando ela e a criança decidirem por parar. Porque a decisão tem que partir de um dos dois únicos lados dessa relação. Assim foi comigo e com o Alexandre.

 

Tive alguns períodos críticos que me fizeram parar pra pensar no desmame conduzido por mim. O que eu nunca quis de verdade. Sempre quis que o desmame fosse natural. Natural, entende-se aqui, como conduzido pela criança. Acredito que ele saiba quando não mais precisa daquele tipo de nutrição, física e emocional. Porque amamentar não é só o ato de alimentar um bebê com leite materno. É também, alimentá-lo de afeto, segurança e conforto.

 

Acho que tive muita “sorte” esse tempo todo de amamentação, nunca fui hostilizada ou barrada em nenhum lugar , por estar amamentando. Viajei para os Estados Unidos e amamentei na rua, nos parques, na praia, na piscina do hotel, nos restaurantes, avião, aeroportos… Tudo tranquilo! E aqui no Brasil também, sem nenhum problema ou constrangimento. Mas a realidade, infelizmente não é essa. Foi preciso criar leis, para que as mulheres pudessem amamentar em lugares públicos. Em São Paulo existe a Lei 16.161, que garante esse direito.

 

Aos três anos e meio, após um mês que eu havia tentado, por duas noites, o desmame noturno, conduzido por mim, por influências externas (chatos!), o Alexandre mamou como de costume antes de dormir. Olhou para mim, disse boa noite para o mamá e disse que já não precisava mais dele. E nunca mais mamou! Foi tristemente lindo! Chorei com ele, abracei, beijei e disse que ele continuaria a ter o meu colo e os meus beijos e abraços, mesmo sem o mamá. Desde então, ele toma leite de vaca. Mesmo antes de desmamar, ele já tomava se eu não estivesse em casa.

 

Eu morro de saudades de amamentar. É uma linda e gostosa lembrança que terei para sempre. Desejo que você, que está me lendo, tenha passado ou passe por essa fase, de uma forma amorosa e tranquila, seja amamentando ou apoiando alguma mãe a amamentar.

 

Beijos!

 

Simone Cortez"

 

 

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